Investimentos no esporte: uma realidade difícil de entender.

Não precisamos ser especialistas na área para se chegar a conclusões obvias após acompanharmos notícias publicadas na internet e em noticiários na TV sobre a Copa de 2014 no Brasil. 20, 30, 40 bilhões... a final, quanto será gasto ou investido em nosso país?

Na verdade, esses números ainda são imprecisos, mas uma certeza todos nos temos, boa parte deste dinheiro deverá ser ou já está sendo mal aplicado, isso sem falar do alto custo das obras aqui no Brasil se compararmos, por exemplo, com a Copa de 2010 na África do Sul. Com uma fração desta fortuna, quantos atletas brasileiros poderiam ser preparados de forma mais responsável e coerente a longo prazo para as próximas olimpíadas?

Aqui no Brasil, culturalmente somos acostumados a ver atletas sendo convocados a poucos meses de uma grande competição para serem os salvadores da pátria, com o apoio do governo e algumas empresas privadas, quando na verdade o ideal seria que esse investimento fosse feito a partir da pré-escola, primeiramente para formar cidadãos, e em seguida, após uma criteriosa seleção, para formar atletas profissionais, de acordo com a habilidade e interesse de cada indivíduo em defender a sua pátria. Enquanto isso não ocorrer seremos sempre uma nação de atletas predominantemente medíocres, acostumados a serem os esforçados e quase sempre coadjuvantes no cenário esportivo internacional, com algumas exceções, claro.

 

Vale ressaltar também a grande diferença cultural entre apoio e patrocínio, pois muitos atletas humildes competem com camisas de empresas e dizem que estão sendo “patrocinados”, quando na verdade estão recebendo na maioria das vezes um apoio básico para custear despesas com inscrições ou passagens, deixando de lado aspectos importantes como: treinamentos; planejamento; nutrição; material esportivo; exames médicos; salário; premiação; ações sociais e estratégias de marketing para a divulgação do trabalho.

Atualmente, estamos acompanhando os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, e ficamos orgulhosos quando observamos os nossos atletas no lugar mais alto do podium, mas quando chegam as olimpíadas e os campeonatos mundiais nos deparamos com a verdadeira disparidade existente entre o nível técnico de nossos atletas e os melhores do mundo.

Embora estejamos correndo contra o tempo e contra uma máquina administrativa poderosa, espero que os resultados do Pan 2011 possam ser motivadores para as próximas competições, e que a Copa de 2014 deixe realmente um grande legado para as próximas gerações, e não, elefantes brancos e processos que venham a ser motivos de piadas por vários anos.

Félix Luis / Direção Geral
Portaldocorredor

 

 

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