A Copa é composta por três provas para poucos selecionados
- a BR 135, prova de 217 km nas montanhas da Serra da Mantiqueira,
feita quase toda de subidas e descidas, a Badwater, também
com 217 km e que começa no ponto mais baixo da América,
no chamado Vale da Morte, na Califórnia, atravessa o deserto
mais quente, cuja temperatura pode chegar a 60ºC, e tem a
chegada na montanha mais alta dos Estados Unidos.
A
Arrowhead é realizada com temperaturas em torno de 40 graus
negativos, sem equipe de apoio, na qual os corredores puxam um
trenó pela neve com seus suprimentos.
"A
Arrowhead é a prova mais difícil e agora será
ainda mais, pois o frio extremo é muito perigoso e você
está sozinho. Você precisa conhecer muito, mas muito
mesmo seu corpo. Eu não aconselho ninguém a fazer
essa prova, eu faço por puro amor, e me preparei bastante
para isso, faço muito treino. Nós temos uma força
mental que desconhecemos. Não há irresponsabilidade",
diz Marcio.
O
ultramaratonista viaja nesta sexta-feira para os Estados Unidos
para fazer a "Double Arrowhead". A prova, com 136 inscritos,
tem início no dia 31 de janeiro e Márcio chegará
uma semana antes para se aclimatar com as temperaturas extremas.
"Até
hoje nunca ninguém foi autorizado a fazer isso, pois a
prova é extremamente perigosa por conta das condições
climáticas. Mas por conta dos meus resultados em 2010,
quando fui o único atleta a fazer o percurso dobrado de
outras duas provas da Copa do Mundo das Ultramaratonas, a BR 135e
Badwater, a organização da Arrowhead me deu essa
autorização inédita", conta Marcio.
O
entusiasmo do atleta movido a paixão por desafios inéditos
é grande, no entanto, apesar da dureza dos percursos nas
disputas desafiadores que encara, Marcio tem um percalço
maior e aparentemente muito mais difícil de transpor no
seu caminho de atleta: a falta de apoio e patrocínio.
Apesar
de ter a chance de conquistar uma façanha inédita
para o Brasil e colocar o país como destaque na ultramaratona,
Marcio teve que fazer empréstimo em banco para poder custear
a viagem. Ganhou um tênis, emprestou algumas roupas e conseguiu
a passagem aérea da empresa Win Sports. O restante dos
custos será pago com o empréstimo.
Querido
no meio esportivo, Marcio tem contado com a ajuda dos amigos na
divulgação do desafio, que estão fazendo
campanha nas mídias sociais e por e-mail para tentar arrecadar
dinheiro para a viagem. Marcio conta que até agora foram
depositados cerca de R$ 1.100.
"Alguns
amigos estão me dando dólares, e muitos depositam
o que podem (abaixo informações para quem quiser
contribuir e ajudar Marcio no desafio). Isso me emociona e me
motiva ainda muito mais, contudo, não entendo a falta de
apoio por parte das empresas. Sei que é assim com outros
atletas, mas é uma burrice corporativa. Saí em uma
matéria de 3 minutos no Jornal Nacional, quanto custa esses
espaços em mídia, que a empresa teria de graça?",
indigna-se Marcio. Pelos seus cálculos, ele precisa de
cerca de 3.500 dólares. "Isso vendendo o almoço
para comprar o jantar", diz.
Um
atleta de feitos inéditos - Em 2010, Marcio bateu o recorde
da Badwater e ainda por cima na "Double", ou seja, correu
os 434 km do percurso duplo fazendo a ida em 36h31min e a volta
em 42h58min. Até hoje, alguns poucos norte-americanos conseguiram
fazer a Double Badwater. Marcio foi o primeiro estrangeiro e bateu
o recorde de tempo.
Enquanto
todos os sobreviventes cruzavam a linha de chegada exaustos, Marcio
se preparava para dar meia volta e começar tudo de novo.
Em janeiro de 2010, Marcio também conquistou um feito inédito
na BR 135 ao ser o primeiro atleta a fazer duas vezes a prova,
ida e volta sem parar.
Marcio
não tem uma equipe de suporte, faz seus treinos sozinho,
puxando pneu por cerca de seis a oito horas em vários lugares
no Rio de Janeiro, como Floresta da Tijuca. "É difícil,
não tenho estrutura, trabalho num escritório o dia
todo, mas é o jeito que dá".
Com
todo esse currículo, poucos podem acreditar que há
apenas oito anos este maluco por ultramaratonas era um pai de
família sedentário, com quase 100 quilos e com o
apelido de "mocotó", famoso entre os colegas
por só comer ‘porcarias’. Mas como um sedentário
acima do peso consegue se transformar num dos maiores ultramaratonistas
do mundo em tão pouco tempo?
"É
preciso gostar muito. Não há premiação
em dinheiro nas ultramaratonas, então é só
por amor mesmo", diz Marcio, que tem uma filha de 19 anos.
Marcio
descobriu a corrida por acaso, levado por uma colega a correr
uma prova de revezamento na qual teria que fazer 4 km. "Sabe-se
lá Deus como consegui fazer esses 4 km, fui quase rolando",
diverte-se Marcio. Mas apesar do sacrifício Marcio gostou
do desafio e decidiu mudar de vida.
"Comecei
a me cuidar, fechei a boca e comecei a treinar devagar, até
conseguir fazer minhas primeiras provas de 5 km. O problema é
que as provas no Rio são todas no Aterro do Flamengo e
depois de um tempo fiquei desestimulado. Para não perder
o ritmo fui atrás de desafios".
O
primeiro deles foi numa corrida 24 horas em pista em São
Paulo. "Fiquei sabendo da prova e fiquei louco para participar,
meus amigos fizeram muita gozação e não acreditaram
que eu fosse ter coragem, porém, não só completei
o desafio como fiz o recorde na minha categoria já na primeira
empreitada - 176 km! Eu chorei igual criança de emoção",
diz Marcio.
Apesar
de tantas conquistas espetaculares hoje, Marcio não se
esquece de fatos simples que marcaram sua guinada para a vida
de atleta, e comemorados a exaustão. "Um dia inesquecível
foi quando fui comprar uma calça jeans e vesti o número
42 (usava 46), quase sai gritando no shopping de tanta alegria",
conta.
Outra
fato que emociona Marcio é lembrar-se da Double Badwater
e do apoio dos outros corredores. "Eu larguei com os 79 corredores
na Badwater, mas só eu voltei para fazer a prova novamente,
e os corredores ficaram me incentivando, doaram comida que havia
sobrado e ficaram me esperando na chegada e um deles disse uma
frase que nunca esquecerei - você provou que o impossível
não existe", lembra Marcio.
"Eu
tenho muitos projetos, minha paixão é a ultramaratona
e quero trazer muitas conquistas inéditas para o Brasil",
diz Márcio
Na
campanha pela Internet, os amigos pedem um depósito simbólico
de R$ 20,00, que somados poderão ajudar Marcio na sua empreitada.
Para quem quiser colaborar os dados são: Banco Real / Ag.0959
/ Conta: 6004530-5 / CPF: 916.238.207-15.
Site
do atleta: http://www.marciovillar.com
Fonte:
Ativo.com
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