Grandes
empresas e Abicalçados travam guerra em torno da sobretaxa
do tênis (Bia Parreiras / Viagem e Turismo).
Após
sobretaxar sapatos fabricados na China, governo estuda estender
a medida para importações do Vietnã, Malásia,
Indonésia e Hong Kong.
Quem
paga o preço ? O
consumidor, claro.
Quem
viaja muito aos Estados Unidos já aprendeu a lição:
vale sempre a pena dar uma olhada nos preços dos tênis,
onde, quase que via de regra, podem custar menos da metade do
que é cobrado no Brasil. Agora o que já era caro,
pode ficar ainda mais. O governo estuda uma medida para sobretaxar
calçados importados do Vietnã, Malásia, Indonésia
e Hong Kong. Com o produto da China, isso já ocorre. Além
dos 35% de imposto de importação – a alíquota
máxima permitida pela Organização Mundial
de Comércio (OMC) –, é cobrada sobre cada
par que vem de lá uma sobretaxa de 13,85 dólares.
A medida afeta todos os tipos de calçado, com pouquíssimas
exceções para itens específicos, como produtos
para prática de esqui e surfe na neve e para uso médico-hospitalar,
entre outros.
Mais
uma vez o pleito é da Associação Brasileira
de Calçados (Abicalçados). A instituição
afirma que, para driblar a sobretaxa sobre os produtos chineses,
as indústrias têm feito a chamada triangulação.
Trata-se da estratégia de usar partes de tênis provenientes
da China e somente montá-los em outra nação
da região, que assim exportaria o produto final com valores
mais baixos. “Acreditamos que haja triangulação,
pois logo após a aplicação da taxa aos calçados
chineses, o mercado de calçados da Malásia aumentou”,
afirma Admar Schievelbein, consultor de assuntos internacionais
da Abicalçados.
O
tributo adicional sobre as importações chinesas
já havia sido pedido pela Associação em março
do ano passado, quando foi registrada uma queixa junto ao governo
federal de que tais produtos entravam no país com preços
mais baixos que os do mercado de origem – o que configuraria
‘dumping’. A prática estaria prejudicando a
indústria nacional. O governo assentiu e a sobretaxa foi
aprovada nas importações de calçados chineses
pelos próximos cinco anos.
Agora,
os produtos importados do Vietnã, Malásia, Indonésia
e Hong Kong também correm o risco de pagar a taxa antidumping
de 13,85 dólares. Segundo a assessoria da Abicalçados,
o pedido foi enviado em janeiro. A Câmara de Comércio
Exterior (Camex) – composta pelos titulares de seis ministérios,
entre os quais Fernando Pimentel, do Desenvolvimentno, e Guido
Mantega, da Fazenda – tem agora até julho para tomar
uma decisão. Se a medida for aprovada, tênis importados
como o Air Max 2011 e o Gel Nimbus 12, produzidos na Malásia
e na Indonésia, ficarão ainda mais caros.
Clique
no quadro abaixo para ampliar.

Consumidor
é quem perde - Em reação
a essas medidas, grandes empresas do segmento de material esportivo
estrangeiras – Nike, Adidas, Puma, Asics, New Balance e
Sketchers – e nacionais – Penalty/Cambucy e Alpargatas,
que é dona das marcas Rainha e Topper, além de representar
a Mizuno no país – uniram-se em setembro de 2010
no Movimento para Livre Escolha (Move). A entidade rivaliza com
a Abicalçados na questão referente às taxas
cobradas nos calçados esportivos de alta tecnologia. Enquanto
a associação do setor quer proteger os interesses
da indústria brasileira, o Move afirma ser a favor de oferecer
ao consumidor um produto de alta qualidade e tecnologia, por um
preço mais justo. “Ao importar um calçado,
já estamos expostos a uma quantidade de impostos que beira
o absurdo. Ações como essa, de proteção
ao mercado dificultam as operações e, é claro,
encarecem o produto”, aponta Gumercindo Neto, diretor executivo
do Move.
A
entidade que reúne as importadoras ressalta que não
é contrária a uma investigação de
dumping. A reclamação, nesse caso, é que
o governo apenas atendeu a um pedido da Abicalçados, sem
levar em conta o impacto para o consumidor. Além disso,
o pleito da associação teria sido demasiadamente
abrangente, envolvendo produtos os mais diferentes. O Move ressalta
que a indústria brasileira é competitiva em uma
série de artigos do setor calçadista. Não
seria à toa, portanto, que se destaca enquanto um importante
exportador. Muitas linhas de produtos de suas associadas são,
inclusive, fabricados no país. Por outro lado, diz o Move,
o Brasil não tem escala e tecnologia para concorrer com
as asiáticas no segmento de ‘alta performance’.
Por fim, a entidade e alguns especialistas do setor avaliam que
a China e seus pares do Sudeste asiático não praticam
no exterior preços inferiores aos de seus mercados domésticos.
“Não acredito que exista dumping neste caso”,
afirma Dirceu Antonio Marques, professor da escola de negócios
Trevisan.
Única
beneficiada: a Vulcabrás – Mesmo
que esse seja o caso, especialistas indicam que a atitude mais
acertada seria apelar para os meios legais, e não simplesmente
infringir outra sobretaxação. Apesar de a medida
envolver outros tipos de calçados, a briga se dá
mesmo no campo dos tênis. “Não há dumping
nenhum na história. A medida foi única e exclusivamente
tomada para proteger o mercado nacional. A única empresa
que se beneficia disso é a Vulcabrás, que produz
tênis no Brasil, e toma uma posição, através
da Abicalçados, de quem quer fechar o mercado”, afirma
uma fonte ligada ao caso.
O
presidente da Vulcabrás – que detém as marcas
Azaleia e Olympikus e os direitos da Reebok no país –
é o executivo Milton Cardoso, que também preside
a associação. Ironicamente, procurado pela reportagem,
o empresário estava na
Índia, onde a Vulcabrás acaba de comprar uma fábrica
para produzir cabedais (a parte do tênis que recobre
o pé) – ou seja, o mesmo empresário que pleiteia
medidas de proteção de mercado junto ao governo
resolve investir em uma produção na Ásia,
porém, sabiamente, em um país que não há
risco de restrições.
“O
consumidor tem o direito de comprar os melhores produtos pelo
melhor preço possível”, disse Marcio Utsch,
presidente da Alpargatas. “Já existe uma infinidade
de taxas que encarecem o calçado. Se a ideia é incentivar
a indústria nacional, melhor investir em tecnologia, e
não em algo que recaia sobre o consumidor”, completa.
Ao fim, quem paga pela briga é mesmo quem compra tênis,
em especial os praticantes de corrida, que, por recomendações
médicas, devem trocar de tênis a cada três
ou quatro meses para evitar lesões ao se exercitar.
Fonte:
Veja.com
COMENTÁRIOS...
01.
E o pior é que essa taxação absurda de impostos
não acontece somente com calçados, poderíamos
citar inúmeros casos, em vários segmentos da economia.
Onde vamos parar com essa falta de vergonha lícita ? (
Félix Luis, CE )
02.
Esse nosso governo tá de brincadeira conosco, não
investe nada no atletismo e ainda vem com essa agora, isso é
culpa da empresa de tênis Olympikus que vem brigando a anos
com a Asics. Assim fica dificil de correr, coitado de nossos bolsos.
( Jorge Ultramaratonista, RJ )
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