O
ponto de partida do atletismo organizado no território
norte-americano foi a fundação do New York Athletic
Club (NYAC), em 1868. Este clube se encarregou de organizar
o primeiro campeonato dos Estados Unidos de atletismo, em 11
de novembro de 1868. Na América do Sul, os imigrantes
ingleses, que chegaram para trabalhar nas ferrovias e nos frigoríficos,
foram também os encarregados de divulgar as provas atléticas,
primeiro na Argentina, em 1867, depois no Chile, em 1877, e
Brasil, antes da virada do século. Em 23 de julho de
1894, o barão Pierre de Coubertin convocou um congresso
e apresentou o projeto para a volta dos antigos Jogos Olímpicos,
interessando aos delegados dos 12 países presentes. Depois
da restauração dos Jogos Olímpicos, o atletismo
se transformou no mais popular dos esportes individuais. Em
1913, foi criada a Federação Internacional de
Atletismo Amador (Iaaf), com sede na cidade de Londres, no Reino
Unido. A Iaaf é o organismo que rege as competições
do atletismo em escala internacional, estabelecendo as regras
e oficializando os recordes obtidos pelos atletas. Após
estrear na Olimpíada de Atenas-1896, o atletismo esteve
sempre presente no programa oficial dos Jogos e sempre com o
maior número de provas na história. A mesma coisa
acontece nos Jogos Pan-Americanos, que tem o atletismo em seu
programa desde a primeira edição.
REGRAS:
Várias modalidades compõe o atletismo. Na pista,
as provas são disputadas em uma pista oval de 400 m,
dividida em nove raias. Cada raia possui de 1,22 m a 1,25 m
de largura.
Nas
provas de velocidade (até 400 m rasos), nos
110 m com barreiras (ou 100 m com barreiras no feminino) e no
revezamento 4x100 m, os competidores devem se manter em suas
raias de largada durante toda a prova. Nos 800 m rasos e no
revezamento 4x400 m, os competidores podem abandoná-las
após passarem por uma linha durante a prova. Nas demais
modalidades, não há raias.
Nos
revezamentos, os competidores devem passar o bastão
em uma zona de 20 m e permanecer em suas raias até o
final da prova sob pena de desclassificação de
suas equipes. Se um participante derrubar o bastão durante
a prova, somente ele pode recolhê-lo, desde que não
atrapalhe os outros competidores nem diminua a distância
a ser percorrida.
Nas
maratonas e marchas, que são disputadas fora
do estádio, os competidores podem abandonar temporariamente
a competição, desde que autorizados e supervisionados
por um dos árbitros. Há também pontos estratégicos
alocados a cada 5 km, onde os atletas podem pegar água
e outras bebidas sem parar de correr.
As
provas da marcha atlética têm duas regras principais.
Os competidores precisam manter pelo menos um dos pés
sempre no chão. Além disso, o joelho da perna
que dá a passada não pode se flexionar até
que a mesma esteja completa.
Há
nove juízes distribuídos ao longo da competição,
cuidando para que os atletas respeitem as regras. Como elas
são claramente visíveis, não há
equipamentos eletrônicos. Se um juiz observar que um dos
atletas está desrespeitando as normas, ele o adverte.
O competidor é desclassificado após três
juízes terem-no avisado. Já o atelta que obstruir
a passagem de outro participante também é eliminado
da prova.
Em
todas as provas, o vencedor é aquele cujo torso cruzar
a linha de chegada antes. Para o reconhecimento de marcas mundiais
ou pan-americanas, é necessário que o vento não
esteja superior a 2 m/s.
Já
nas disputas de saltos em altura e com vara, o objetivo
é ultrapassar o sarrafo sem derrubá-lo. Os juízes
determinam a altura inicial que os competidores terão
de saltar. A partir daí, a cada rodada, o sarrafo é
colocado no mínimo dois centímetros mais alto
(no salto com vara) e um centímetro no salto em altura.
A
eliminação ocorre quando o atleta falha três
vezes consecutivas em saltos na mesma altura. A melhor de suas
tentativas bem-sucedidas fica sendo seu resultado final. Se
houver empate, a decisão ocorre no número de saltos
que cada competidor precisou para ultrapassar a marca. Se persistir
o empate, são computados os erros cometidos ao longo
da competição. Se ainda assim não houver
um desempate, os dois recebem medalhas, a não ser que
a disputa seja pelo ouro. Neste caso, há um salto adicional.
O
objetivo do salto em altura é passar sobre uma barra
horizontal que se encontra suspensa entre dois suportes verticais
separados por quatro metros de distância. O atleta tem
direito a três tentativas para superar cada altura. Atualmente,
a maioria dos saltadores usa o estilo denominado "fosbury",
assim chamado em homenagem a seu inventor, o atleta norte-americano
Dick Fosbury, que o usou pela primeira vez nos Jogos Olímpicos
de 1968, na Cidade do México. Para executar o salto,
os atletas se aproximam da barra quase de frente, giram o corpo
enquanto começam a se elevar, alcançam a barra
com a cabeça na frente, superando o obstáculo
de costas, antes de cair com os ombros no colchão de
proteção.
No
salto com vara, o atleta tenta superar uma barra transversal,
com a ajuda de uma vara flexível, normalmente de 4 a
5 metros de comprimento, fabricada em fibra de vidro. O saltador
segura a vara uns centímetros antes do final da mesma,
corre pela pista para o local onde esse encontra a barra, finca
a ponta da vara no chão - em um pequeno encaixe localizado
imediatamente antes do local onde se encontra a projeção
da barra - e salta apoiando-se com a vara, atravessa a barra
horizontal com os pés para frente e logo cai no colchão
de ar.
Nos
saltos em distância e triplo, os competidores
saltam tentando atingir a melhor marca possível. Há
três saltos iniciais para cada atleta e os melhores se
classificam para as finais. Se houver empate, o segundo melhor
salto de cada atleta é analisado. Se persistir o empate,
são considerados os terceiros melhores saltos. Em ambos
os eventos, a distância obtida é considerada a
partir da marca na areia mais próxima da área
de salto.
No
salto em distância o competidor corre por uma raia e salta
antes de uma marca transversal tentando alcançar a máxima
distância possível. Quando está no auge
do salto, o atleta coloca os pés na frente do corpo para
ajudar a conseguir a maior distância. Um salto se mede,
em linha reta, desde a borda frontal da marca transversal até
a marca mais próxima, chamada de plataforma transversal,
feita por qualquer parte do corpo do atleta ao contatar com
a terra. Os atletas se classificam de acordo com seus resultados
nos saltos mais longos.
O
objetivo do salto triplo é cobrir a máxima distância
possível em uma série de três saltos interligados.
Na primeira fase da seqüência, o saltador corre pela
pista e salta desde uma marca de lançamento, caindo ainda
na pista com um pé e voltando a se impulsionar para frente,
caindo com o outro pé e impulsionando-se novamente para
cima e para frente, caindo desta vez com os dois pés
numa caixa de areia.
Nos
arremessos, para a conquista de medalhas, apenas o
melhor resultado de cada atleta é computado. O competidor
pode abortar seu arremesso, desde que não tenha soltado
o objeto ou colocado o pé na área "proibida".
Os juízes podem penalizar atletas que demorarem mais
de um minuto para realizarem suas tentativas.
O
objetivo da prova de arremesso de peso e impulsionar uma bola
sólida de metal através do ar na máxima
distância possível. O peso da bola para homens
é de 7,26 kg, e para as mulheres de 4 kg. A ação
no lançamento está restrita a um circulo de 2,1
m de diâmetro.
Já
o dardo utilizado na modalidade é um instrumento alongado
que tem um comprimento mínimo de 260 cm para os homens
e de 220 cm para as mulheres, e um peso mínimo de 800
g para os homens e de 600 g para as mulheres. Tem uma alça
de corda de 15 cm de longitude que se encontra, aproximadamente,
no centro de gravidade. Duas linhas paralelas, separadas por
4 m, marcam a pista de lançamento. O ponto máximo
de lançamento tem 7 cm de largura e atravessa a pista,
no solo, tocando os extremos das linhas que marcam a pista.
O centro deste corredor está eqüidistante entre
as linhas de marca da pista. Desde este ponto central se estendem
duas linhas de 90 m de distância. Todos os arremessos
devem cair entre estas duas linhas.
Os
arremessadores do martelo competem lançando uma pesada
bola de ferro pressa a um arame metálico com uma alça
na extremidade. A bola, o arame e a alça, juntos, pesam
7,26 kg e formam uma unidade de uma longitude máxima
de 1,2 m. A base de lançamento é um circulo de
2,1 m de diâmetro. Segurando a alça com as duas
mãos e mantendo os pés imóveis, o atleta
faz a bola girar em um círculo que passa por cima e por
baixo da sua cabeça, até a altura dos joelhos.
Quando o martelo alcança velocidade, o arremessador gira
sobre si próprio duas ou três vezes para acelerar
mais a bola e logo a solta para cima e para frente em um ângulo
de 45 graus. Se o martelo cai no terreno dentro de um ângulo
de 90 graus, o arremesso não se considera válido.
Já
o disco é um prato com a borda e o centro de metal que
se arremessa desde um círculo que tem um diâmetro
de 2,50 m. Na prova masculina, o disco mede entre 219 e 221
mm de diâmetro e de 44 a 46 mm de espessura; pesa 2 kg.
Na modalidade feminina, mede entre 180 e 182 mm de diâmetro
e de 37 a 39 mm de espessura, pesando 1 kg. O atleta deve segurar
o disco plano contra os dedos da mão e o antebraço
do lado do arremesso, logo gira sobre si mesmo rapidamente e
lança o disco ao ar estendendo o braço.
Decatlo,
composto de 10 provas, que são disputadas por homens
em dois dias, na seguinte ordem: 100 m rasos, salto em distância,
arremesso de peso, salto em altura e 400 m rasos (todas essas
no primeiro dia); 110 m com barreiras, arremesso de disco, salto
com vara, lançamento de dardo e 1.500 m rasos (segundo
dia).
Heptatlo,
que consiste das seguintes provas, também divididas em
dois dias: 100 m com barreiras, salto em altura e arremesso
de peso (primeiro dia); 200 m rasos, salto em distância,
lançamento de dardo e 800 m rasos (segundo dia).
Em
ambos os sexos, vence quem obtiver maior pontuação
ao longo de todas as competições. Na atribuição
dos pontos, vale mais a regularidade. O atleta que estiver bem
classificado em várias provas leva vantagem sobre outro
que, por exemplo, vencer duas modalidades e for mal nas demais.
As
regras são praticamente as mesmas das provas individuais,
com algumas exceções: nas provas de corridas convencionais,
os atletas são desclassificados após duas largadas
falsas. No heptatlo e no decatlo, o limite sobe para três.
Além disso, é permitido um vento de 4 m/s para
a contagem de recordes mundiais ou olímpicos, contra
apenas 2 m/s nas provas convencionais.
GLOSSÁRIO
TÉCNICO
A
Agachamento
de largada: Posição que todos os corredores devem
assumir na largada das provas de velocidade
Área
de arremesso: Local onde os atletas de arremesso fazem os seus
lançamentos
Área
de aterrissagem: Caixa de areia colocada no final da pista nas
provas de salto em distância e triplo
B
Barreira:
Obstáculos que os atletas precisam transpor nas provas
de corrida com barreiras
Bastão:
Tubo liso de metal ou madeira, passado de mão em mão
pelos corredores do revezamento
Blocos
de largada: Par de suportes para os pés, temporariamente
colocados na pista, sobre os quais um velocista dá o
impulso inicial na largada
Breakline:
Arco demarcado na pista que mostra o ponto em que os corredores
podem deixar sua raia original
C
Círculo:
Área circular de onde os arremessadores não podem
sair no momento do lançamento
Corridas
de fundo: Corridas com distância superior a 10.000 m
Corridas
de meio fundo: Provas de 800 m, 1.500 m e 5.000 m
Corridas
de velocidade: Provas de 100 m, 200 m e 400 m
Countback:
Método utilizado para determinar o vencedor quando dois
saltadores empatam, é baseado na revisão de qual
deles falhou menos em tentativas anteriores
D
Dardo:
Haste de metal ou madeira, semelhante a uma lança, que
os atletas devem arremessar em longa distância
Decatlo:
Competição masculina composta de dez diferentes
provas de atletismo em que vence o atleta com maior pontuação
no geral
Disco:
placa de madeira envolta por um arco de metal
DNF:
Sigla para "Did Not Finish" (Não Completou),
indicando que um atleta largou na prova, mas não cruzou
a linha final
DQ:
Sigla para "Disqualification" (Desqualificação),
indicando que um atleta violou alguma regra que o impede de
completar a prova
E
Em
suas marcas: Primeira chamada para que os corredores assumam
suas posições na linha de largada
F
Falta:
violação em que o atleta, em provas de salto ou
arremesso em distância, pisa sobre a linha ou círculo
que limita sua aproximação
Fosbury
flop: estilo de salto em altura que leva o nome do campeão
olímpico Dick Fosbury. O atleta realiza o salto com o
rosto para cima, superando o sarrafo de costas
G
Gaiola
de segurança: Grade colocada ao lado a área de
arremesso para proteger os espectadores durantes as provas
H
Heptatlo:
Versão feminina do decatlo, composto de sete diferentes
provas de atletismo, em que vence quem tiver melhor pontuação
no geral
J
Jump-off:
Salto desempate utilizado para determinar o primeiro colocado
nos saltos em altura e com vara em caso de empate tanto na melhor
marca quanto no countback
L
Largada
falsa: Início ilegal de uma corrida quando um dos competidores
parte antes do sinal de largada
M
Marcha
atlética: Corrida em que o atleta deve sempre manter
pelo menos um dos pés no chão e a perna que vai
à frente não pode ser dobrada
Martelo:
Pesada bola de metal ligada a um cabo com alça
P
Passagem
cega: Em provas de revezamento, quando um atleta pega o bastão
sem olhar para o companheiro
Peso:
Pesada bola de metal usada no arremesso de peso
Pista
de corrida: Faixa de pista para saltadores e lançadores
onde ganham velocidade para realizar suas tentativas
Preparar:
Segunda chamada para os corredores tomarem posição
antes do tiro de largada
R
Raia:
Espaço delimitado na pista dentro do qual os atletas
devem correr em algumas provas
Revezamento:
Corrida por equipes compostas de quatro atletas que se revezam
durante o percurso
S
Salto
com vara: Salto por cima de um sarrafo horizontal com a ajuda
de uma vara flexível
Sarrafo:
Barra de madeira, metal ou plástico que os atletas precisam
superar nas provas de saltos
Sprint:
Explosão de velocidade nos metros finais de uma corrida
W
Western
roll: Estilo de salto em altura em que o atleta levanta uma
perna próximo ao sarrafo e rola por sobre ele tentando
superá-lo horizontalmente com o rosto para baixo
Z
Zona
de aceleração: Área de dez metros que fica
antes da zona de passagem, onde o atleta acelera para dar o
bastão ao companheiro
Zona
de passagem: Área demarcada na pista onde o bastão
deve ser passado pelos corredores do revezamento
Fonte: UOL
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